Maria Yedda Leite Linhares foi acima de tudo uma formadora de gente. Sua alegria, a grande satisfação, era ter em seu redor jovens com quem dialogasse – sempre de forma igual, buscando em cada um deles, um talento, uma vocação. Em torno de sua sala de aula e de seus gabinetes de pesquisas passaram gerações. A primeira delas com nomes como Arthur e Hugo Weiss, Valentina Rocha Lima, Francisco Falcon e Helena Lewin. A estes se agregou uma segunda turma, formada pelos jovens Ciro Cardoso, Barbara Levy, José Luis Werneck da Silva, Berenice Brandão. E então veio a vocação irresistível de participar, de viver no mundo, e fazer a mudança: as lutas políticas e sociais tomaram vulto: contra as oligarquias, contra os entreguistas, contra as burocracias e as velhas lideranças acadêmicas carcomidas. Sua integral participação nas lutas do seu tempo a levaria, em 1964, a viver a cada dia no coração da crise do Brasil moderno.
Contra todos os conselhos, inclusive do bom-senso e sabedoria do Dr. José Linhares, ou “o José” simplesmente, ela insistira. Não havia conserto, era da sua natureza. Nascera assim. Lá no Ceará, em 3 de novembro de 1921, nascera - para usar a expressão do poeta que ela tanto amaria - “gauche na vida”. Meninota, contra a vontade dos pais, colocara um imenso laço vermelho nos cabelos para ver a passagem das tropas revolucionárias que adentravam o Calçamento de Messejana para conquistar Fortaleza em 1930. Aí consolidara sua vocação: rebelde, teimosa, voluntariosa, humana e generosa.
Com a família, seguindo o rastro da crise mundial que derrubara os preços do algodão, mudou-se para Porto Alegre. Lá ficou pouco tempo. Sofreu uma infecção no ouvido, que mais tarde martirizaria a vida e a vaidade. Mudaram-se para o Rio. Aqui, na capital federal, abriu-se o espaço e as redes sociais que permitiriam a Maria Yedda ser a mulher que marcou seu tempo. Autodidata, com uma letra incompreensível, adaptou-se mal ao colégio de freiras. Estudou ainda mais, em especial português – que se tornou uma obsessão e quase a nos rouba para o jornalismo – e história. Na maratona de educação alcançou o primeiro lugar, tendo como prêmio o único livro que jamais emprestou: a História Geral de Varnhagen.
A criação da UDF facilitou sua ascensão ao curso de “filosofia” – entendida bem mais como um curso humanista para a formação de professores. Lá conheceu os amigos que marcariam sua vida: o Dr. Anísio Teixeira, uma marca poderosa. Com o Dr. Anísio apreendeu, e acreditou, por toda vida que somente a educação para todos, laica e pública, mudaria o país. Aí encontrou também seu amigo de vida, Darcy Ribeiro – o que não quer dizer, de forma alguma, que não brigassem como cão e gato. Conviveu como jovem estudante, em sala de aula ou em reuniões e debates, com homens como Hermes Lima, Brochado da Rocha, San Thiago Dantas - todos jovens professores e oponentes da ditadura varguista. Yedda ouvia, apreendia e preparava-se também para participar.
Por fim assistiu a derrocada da UDF, o golpe do Estado Novo e a prisão de Pedro Ernesto e de seus jovens professores.
Sua excelência em português, já naquele momento conhecida de todos, a aproximou de uma severa senhora americana encarregada da formação de quadros do Dasp. Era a chegada da política de boa vizinhança. Maria Yedda foi para os Estados Unidos, jovem, corajosa e sozinha. Um fenômeno em sua época. Estudou no Barnard College, na Universidade de Columbia.
Nada seria igual depois disso. Creio que mesmo o amor, e gratidão, que viria a ter pela França, não igualariam jamais a admiração pelos Estados Unidos. Sozinha, e precisando viver, tornou-se, ainda uma vez, professora de português para americanos e, depois, em inglês, locutora da rádio universitária.
Travou laços de amizade com uma geração de exilados da guerra civil espanhola, odiou Franco e ouviu os relatos das atrocidades dos fascismos em ascensão. Conheceu a poesia americana, espanhola e a arte deslumbrante de um México insurgente. Amava Lorca. Freqüentou o Radio City Hall e apaixonou-se pelo jovem Frank Sinatra. O inglês tornou-se uma língua fluente, na qual amava dizer poesias. Todas modernas, nunca amou Shakespeare, mas ficaria para sempre fascinada pela sonoridade de Walt Whitman.
Então veio guerra e a decisão de voltar ao Brasil. Três dias de avião, porto por porto, até mesmo no Caribe com o piloto perseguindo um submarino alemão. O Rio mudara, o Brasil se cansava da ditadura nativa. Voltava para universidade, agora a UB, a gloriosa universidade da qual seria a mais jovem mulher catedrática.
Travava amizade com Delgado de Carvalho, o decano da história moderna e contemporânea. Mais do que tudo: conhecia José, jovem rábula, que a traria, ainda mais, para o coração da crise, casando-se e convivendo com os atores do poder. Data daí a amizade e o respeito por Alzira Vargas – o que importava que fosse oposição, tratava-se de “Alzirinha”, tão somente. Jamais esqueceria a desobediência do Comandante Amaral Peixoto, o pai da nossa “França Livre”, Niterói!
Tornou-se fundadora da UNE e sua primeira diretora do “Departamento Cultural”: o teatro, incluindo o jovem teatro negro, as revistas culturais e dos debates. Talvez fosse sempre isso do que Yedda mais gostava. O debate. Quente. Vivo. Múltiplo. Formou-se a frente pela entrada do Brasil na guerra mundial. Lá estava ela, na primeira fila, de braços com Marighela! O escritório da Reuters, na Cinelândia, tornar-se-ia seu prórpio escritório, lendo em primeira mão os telegramas que relatavam a guerra. Tornar-se-ia, para sempre e do fundo do seu coração, botafoguense. Os chamados rapazes do Botafogo, com João Saldanha à frente, seriam parceiros de caminhadas na então estreita calçada de Copacabana.
O casamento deveria ter equilibrado sua vocação revolucionária, creio, contudo, que foi o Dr. José que se acostumou ao sobressalto. Aconselhava, pedia e sempre, sempre, punha-se ao seu lado. Em toda crise repetia a mesma coisa: “Minha filha, não diga nada, espere para ouvir...” Inútil, Yedda não era mulher de esperar. Agia. Muitas vezes na direção certa, guiada por seu instinto contrário a toda injustiça. Outras vezes era precipitada, nunca, contudo, injusta. No mais das vezes prejudicava a si mesma.
Do casamento teve Maria Teresa, “Teca”, e José, “Zequinha”! Havia orgulho nos filhos, via-se neles, sentia por eles. Uma das maiores revoltas foi vê-los envolvidos na insidiosa e malsã campanha da imprensa golpista nos idos de março de 1964. Creio também que ambos pagaram algum preço – o preço de serem filhos de Yedda, o preço das horas roubadas, o preço de partilhá-la com todos nós, comigo, com Ciro Cardoso e principalmente com Francisco Falcon. Temos que pedir perdão por isso, perdão por tê-la tanto tempo conosco! A tudo se juntava a presença de Yonne Leite, outro motivo de orgulho de Yedda, que a via, com tudo que isso encerra, bem mais como filha do que irmã.
Na casa, a velha Virgínia cuidava de todos, incluindo alimentar os famintos assistentes, como o insistente Falcon.
Vieram os concursos, provas, cerimônias, becas e arminhos. Substituía Delgado de Carvalho como catedrática: foi o dia que mais chorou na vida. Não queria a cátedra, ao menos não queria “aquela cátedra” – lutaria todo o resto de sua vida para mudar a universidade. Falcon seria seu principal companheiro de trabalho, de lealdade e de debates intelectuais. Livros inteiros eram lidos e resenhados pelo telefone, todas as noites.
Os tempos eram de chumbo, o ar era arenoso e o chão fugidio. Yedda namorava com o PCBR, respeitava e ouvi a Apolônio de Carvalho, tinha Renée como amiga. Apoiara o ministro da educação, assumia a direção da Radio MEC. Desesperada, sem tempo, negociando e montando uma equipe de trabalho, pediria a Eduardo Portella que escrevesse seu discurso de posse, dizendo pelo telefone o que queria dizer. Ao seu lado estaria como fiél escudeira a nossa Sandra Ribeiro da Costa, forte, sem sutilezas e capaz de protegê-la, inclusive dela mesma.
Usou seu espaço para fazer cultura, afastou-se do ambiente malsão da FNFi daqueles dias. Adorava as óperas e a música erudita, da qual se tornou aficionada, muitas vezes tendo Ciro Cardoso como interlocutor. Só detestava o Bolero de Ravel. Deu a Roberto Carlos seu primeiro emprego no Rio, na própria rádio. Então vieram rostos novos, em especial Alberto Coelho, um amigo que será um consolo e uma fonte permanente de atualização e de novidades.
Então veio o pior: as forças alarmadas, como dizia “o José”, tomaram o poder. A “Revolução Brasileira em curso”, como diziam os amigos do ISEB, era feita de papel. As conseqüências seriam terríveis. Prisões, cassações, aposentadorias compulsórias. Maria Yedda seria inculpada em 11 IPMs; seria acusada na mídia, seria espezinhada por muitos. Pouco importava, sabia o que fazer.
Queria proteger amigos – advertia Falcon, em razão do projeto da história nova. Passaria uma temporada no exterior e por fim tomaria à frente da resistência. No apartamento da Cinco de Julho organizava-se a Passeata dos Cem Mil. Em fim, o ar tornou-se irrespirável. As prisões se sucederam... Tirada do hospital foi levada para o 1º. RCC. Fernand Braudel e Jean-Paul Sartre escreveriam ao presidente-general exigindo sua liberdade.
O exílio seria na França. Primeiro Paris, onde encontraria Ciro Cardoso, e todos que estavam, e depois Toulouse-Le Mirail, onde Jacques Godechot e Bartolomé Benassar a aceitariam com carinho e respeito. Travaria conhecimento e angariaria respeito de todos: Albert Soboul, o amigo Mauro.
Por fim, o casamento de Maria Teresa e o nascimento de Patrícia, a primeira neta seriam de mais. Forçava seu retorno, antes do decreto da anistia. A pressão seria tremenda, obrigando-a a um exílio interno, em Vassouras e impossibilitando toda pesquisa e docência em entidades públicas.
Com a volta reorganizavam-se as redes de sociabilidade, os amigos e os projetos. Em principio o CPDA, no Horto Florestal, depois a UFF e. em fim, o retorno à casa, a UFRJ. Formava-se em torno dela uma nova geração, dos quais João Fragoso e Hebe Mattos são os mais amados.
Em fim a redemocratização: Yedda ainda uma vez aceita os desafios. Primeiro é a secretaria municpal de educação, depois, por duas vezes, seria secretaria estadual de educação. Então, ao lado de Darcy Ribeiro, lançariam mão da herança do Dr. Anísio Teixeira. Os cieps, brizolões – a mais generosa e igualitária proposta de educação que o país produziu – é em verdade a versão moderna da escola-parque.
Outros amigos vieram: Laurinda, Lia Faria, Edilberto, Maria Lucia kamache – todos embalados pelo mesmo sonho: “A educação para todos, pública, laica e de qualidade. Ao seu lado, como amparo, crítico e amigo, teria a presença de Paulo Sérgio Duarte, mais um filho muito amado.
Isto é um pouco de Maria Yedda, só um pouco, porque tão poucas pessoas conseguiram em uma só vida viver tanto. Hoje não estou triste, não quero estar triste. Para Yedda tenho apenas uma lembrança, um título de Pablo Neruda: “confesso que vivi”!
Francisco Carlos Teixeira da Silva
Extraído de:
http://www.tempo.tempopresente.org/index.php?option=com_content&view=article&id=5698%3Aobituario-maria-yedda-leite-linhares-19212011&Itemid=100062&lang=es
Niterói, 17 de novembro de 2011
Comissão aprova regulamentação da profissão de historiador
A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou proposta que regulamenta o exercício da profissão de historiador. De acordo com a proposta, historiador é o profissional responsável pela realização de análises, de pesquisas e de estudos relacionados à compreensão do processo histórico e pelo ensino da História nos diversos níveis da educação.
O texto aprovado é o Projeto de Lei 7321/06, do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que tramita apensado ao PL 3759/04, do ex-deputado Wilson Santos. A relatora, deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), recomendou a aprovação do projeto apensado, com emenda, e a rejeição do projeto principal. Segundo ela, os projetos regulam a matéria em termos análogos, mas o PL 7321/06 não obriga o Poder Executivo a criar conselho de fiscalização do exercício profissional, como faz o PL 3579/04 – o que é inconstitucional. “Tais conselhos são considerados autarquias especiais e só podem ser criados por meio de lei de iniciativa do Presidente da República”, explica.
O PL 7321/06 prevê, porém, a inscrição do historiador em conselho de fiscalização do exercício profissional. A emenda da relatora retira essa previsão.
Profissionais habilitados
Segundo o projeto, poderão exercer a profissão de historiador no País:
- quem tiver diploma de nível superior em História, expedido no Brasil, por instituições de educação oficiais ou reconhecidas pelo governo federal;
- os portadores de diplomas de nível superior em História, expedidos por escolas estrangeiras, reconhecidas pelas leis de seu país e que revalidarem seus diplomas de acordo com a legislação em vigor;
- os diplomados em cursos de mestrado ou de doutorado em História, devidamente reconhecidos;
- os que, na data da entrada em vigor desta lei, tenham exercido, comprovadamente, durante o período mínimo de cinco anos, a função de historiador.
Para exercerem as funções relativas ao magistério em História, os profissionais deverão comprovar formação pedagógica exigida em lei.
Atividades
A proposta também define as atividades e funções dos historiadores, entre elas:
- planejar, organizar, implantar e dirigir serviços de pesquisa histórica, de documentação e informação histórica;
- planejar o exercício da atividade do magistério, na educação básica e superior, em suas dimensões de ensino e pesquisa;
- elaborar critérios de avaliação e seleção de documentos para fins de preservação;
- elaborar pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre assuntos históricos;
- assessorar instituições responsáveis pela preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural (museus, arquivos, bibliotecas).
Tramitação
A matéria segue para a análise, em caráter conclusivo, da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Texto extraído de: Agência Câmara de Notícias
http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/TRABALHO-E-PREVIDENCIA/205456-COMISSAO-APROVA-REGULAMENTACAO-DA-PROFISSAO-DE-HISTORIADOR.html
Niterói, 20 de outubro de 2011
Após vencer o Jabuti, "Impresso no Brasil" segue trajetória de sucesso Livro é destaque na Feira do Livro de Porto Alegre e em Congresso na UFMG
O professor Aníbal Bragança (UFF), atual coordenador-geral de Pesquisa e Editoração da Fundação Biblioteca Nacional, coorganizador da obra Impresso no Brasil, Prêmio Jabuti 2011 (Comunicação), foi convidado pela Câmara Riograndense do Livro para fazer palestra sobre “Livros e Bibliotecas” na Feira do Livro de Porto Alegre, no próximo dia 29, às 18:30, na Sala Oeste. A seguir haverá um espaço para debates com os coautores gaúchos do livro, os professores Antonio Hohlfeldt, Marília Barcellos e Elizabeth Torresini, com participação especial de Nádia Maria Weber Santos, seguido de sessão de autógrafos, a partir de 20h.
Aníbal Bragança irá também a Belo Horizonte, no próximo dia 10 de novembro, quando fará palestra sobre “Impressos no Brasil” no II Seminário de Acervos Raros, promovido pela UFMG, a ser realizado na Biblioteca Central, Campus Pampulha, às 16h. A seguir haverá sessão de autógrafos de Impresso no Brasil no 4º andar da Biblioteca Central da UFMG, de 19 às 21h, com a participação dos coautores mineiros.
Historiador Aníbal Bragança vence prêmio Jabuti na categoria comunicação
Da Redação
O historiador Aníbal Bragança (UFF) venceu, juntamente com Márcia Abreu, a 53ª edição do Prêmio Jabuti (2011), na categoria comunicação, pelo livro "Impresso no Brasil". A vitória foi anunciada ontem, dia 17. O Jabuti é composto por 29 categorias e é dado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), sendo o mais antigo e prestigioso prêmio do Brasil.
Sobre a publicação, Bragança comenta que esta "É o resultado de um projeto que desenvolvi, tendo como parceira Márcia Abreu (Unicamp), visando construir um conhecimento novo da formação da cultura letrada brasileira, em perspectiva multidisciplinar, tendo como principais focos a história do livro e as práticas sociais de leitura. O Impresso no Brasil oferece um panorama das pesquisas na área, em nível nacional e regional, com contribuições vindas de Manaus a Porto Alegre, passando por Mato Grosso, Pernambuco, Bahia, Santa Catarina, Paraíba, Ceará, além de Rio e São Paulo. Temas bem interessantes como a recepção de livros eróticos, a literatura de cordel, os livros escolares, o sucesso de Paulo Coelho e do Harry Porter, a questão dos direitos autorais, do futuro do livro e do mercado editorial também são apresentados e discutidos."
Perguntado sobre qual seu sentimento diante da vitória, o historiador diz que "Conseguir o reconhecimento de seus pares dá uma satisfação muito grande. Os dez livros finalistas da categoria "Comunicação" poderiam receber o prêmio Jabuti com justiça. Assim, a escolha do Impresso no Brasil nos traz, a organizadores, autores e editores, uma alegria imensa, pois isso certamente irá dar uma visibilidade ainda maior à obra, que já está em sua terceira tiragem, em menos de um ano. Essa visibilidade ajudará o livro a encontrar seus leitores, o que é um objetivo fundamental de qualquer edição."
A partir de agora, "Impresso no Brasil" passa a concorrer na categoria Livro do Ano de Não-Ficção do Jabuti. O resultado será conhecido no dia 30 de novembro, em solenidade em São Paulo.
Para "Não Ficção" participam, ainda, os vencedores nas categorias:
"Teoria/Crítica Literária"
Câmara Cascudo e Mário de Andrade - Cartas, 1924-1944
"Reportagem"
1822
"Ciências Exatas"
Teoria Quântica: estudos históricos e implicações culturais
"Tecnologia e Informática"
Aprendizagem à distância
"Economia, Administração e Negócios"
Multinacionais brasileiras: internacionalização, inovação e estratégia global
"Direito"
Fundamentos constitucionais do direito ambiental brasileiro
"Biografia"
De menino a homem - de mais de trinta e de quarenta, de sessenta e mais anos
"Ciências Naturais"
Bioetanol de cana-de-açucar - P&D para produtividade e sustentabilidade
"Ciências da Saúde"
Atlas de endoscopia digestiva da SOBED
"Ciências Humanas"
Manejo do Mundo: conhecimentos e práticas dos povos indígenas do Rio Negro
"Didático e Paradidático"
Coleção Pessoinhas
"Educação"
Impactos da violência na escola: um diálogo com professores
"Psicologia e Psicanálise"
Coração... É emoção: a influência das emoções sobre o coração
"Arquitetura e Urbanismo"
Dois séculos de projetos no Estado de São Paulo - Grandes obras e urbanização
"Fotografia"
Fotografia de Natureza
"Comunicação"
Impresso no Brasil
"Artes"
Os Satyros
"Turismo e Hotelaria"
Hospitalidade - A inovação na gestão das organizações prestadoras de serviços
"Gastronomia"
Machado de Assis: Relíquias Culinárias
Os finalistas do Livro do Ano Ficção serão os vencedores do Jabuti nas seguintes categorias:
"Romance"
Ribamar
"Contos e Crônicas"
Desgracida
"Poesia"
Em alguma parte alguma
"Infantil"
Obax
"Juvenil"
Antes de virar gigante e outras histórias
Por decreto da prefeitura do Rio de Janeiro, sancionado no último dia 11, a historiadora Eulália Lahmeyer Lobo tornou-se nome de rua na cidade maravilhosa. A homenagem à historiadora carioca, que faleceu no último dia 01 de junho no Rio, recaiu na antiga Rua 63 no bairro de Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste.
Pioneirismo e perseguição política
Eulália Lahmeyer Lobo foi a primeira mulher a defender uma Tese de Doutorado em História do Brasil. Além disto, no período do regime militar, a historiadora foi aposentada compulsoriamente, sendo, assim, desligada do IFCS [à época, unidade da UFRJ referente aos cursos de História, Filosofia e Ciências Sociais] e até mesmo presa por um curto período.
Com a Anistia, Eulália Lahmeyer Lobo foi trabalhar na UFF, alcançando, posteriormente, nesta instituição e na UFRJ, a condição de professora emérita.
Niterói, 23 de abril de 2011
Hoje, 23 de abril, "Dia Mundial do Livro", a Revista Tema Livre completa 9 anos no ar.
Da Redação
Ao longo desta jornada, a Revista Tema Livre publicou artigos de historiadores e realizou entrevistas com vários dos consagrados profissionais brasileiros e estrangeiros; realizou matérias e entrevistas no Brasil e no exterior; noticiou em primeira mão acontecimentos relacionados à regulamentação da profissão do historiador; contribuiu para a divulgação da História, bem como para a difusão cultural e artística. Assim, Tema Livre completa 9 dos seus muitos anos que tem pela frente.
Revista Tema Livre - publico qualificado, qualidade em primeiro lugar.
www.revistatemalivre.com
Niterói, 28 de março de 2011
Incêndio no Palácio Universitário da UFRJ (Campus Praia Vermelha)
Da Redação
Parte do Palácio Universitário da UFRJ, prédio situado na Urca, zona sul do Rio e tombado pelo IPHAN em 1972, ardeu na tarde de hoje. O incêndio teria se iniciado, por volta das 14hs, na capela, que estava em restauração e foi totalmente perdida.
Para combater o incêndio, foram enviados bombeiros dos batalhões de Copacabana, Catete e Humaitá. Acredita-se que não existam vítimas.
Atualmente, neste campus, funcionam a Editora da UFRJ, o Fórum de Ciência e Cultura, além dos cursos de educação, comunicação social, economia, administração e ciências contábeis. Os espaços ocupados por comunicação e economia não foram atingidos.
Por fim, o prédio em estilo neoclássico é datado de meados do século XIX, tendo sido um hospício que levava o nome do então imperador, Pedro II. Aproximadamente cem anos depois, quando o hospício foi transferido para Jacarepaguá, o prédio foi reformado e doado à então Universidade do Brasil, mais tarde renomeada UFRJ.
Vídeos da tragédia de 28-03-2011
Vídeo 01
Vídeo 02
Niterói, 02 de março de 2011
Profissão Historiador: A caminho da regulamentação
Da Redação
Após terem o seu dia estabelecido no ano passado - 19 de agosto -, conforme noticiado pela Revista Tema Livre, hoje, 2 de março, os historiadores obtiveram importante vitória: A CCJ (Comissão de Constituição Justiça e Cidadania) aprovou o projeto de regulamentação da profissão, de autoria do senador Paulo Paim, do PT gaúcho.
Entretanto, a aprovação de hoje não significa que a profissão já esteja regulamentada. Ainda falta passar por duas comissões, em que ocorrerão novas votações: a Comissão de Educação (CE) e, depois, a de Assuntos Sociais (CAS). Depois, o projeto irá para a Câmara.
É esperar para ver, inclusive se tal aprovação virá ou não a ocorrer neste ano. Quem sabe a boa notícia não virá durante as comemorações dos 50 anos da Associação de Historiadores. Provavelmente, melhor presente não haveria para a classe!
A História mostra que a participação feminina na política não é algo novo. Ao longo dos séculos, em várias partes do mundo e em vários regimes de governo, as mulheres atuaram e decidiram o destino de povos e nações.
Da Redação
Niterói, RJ, 15 de dezembro de 2010.
Dilma: após 120 anos, ela é a primeira mulher a governar a República
Após o ineditismo de ter como presidente da República um ex-operário, Luís Inácio Lula da Silva, o Brasil elegeu no último dia 31 de outubro para o principal cargo político do país um outro personagem, que, igualmente, significa um fato novo na história brasileira: Dilma Vana Rousseff, a primeira mulher a presidir a República. Ela será a partir do próximo dia 1º a 40ª pessoa a ocupar a presidência.
Mesmo sendo a primeira presidente, ou presidenta, ambas as nomenclaturas estão corretas, Dilma, como é popularmente conhecida, não foi a primeira mulher a comandar o território que corresponde, grosso modo, ao atual Brasil.
Algumas mulheres na política ao longo da história: Reinos e Impérios
Nos tempos coloniais, a mãe de D. João VI, a Rainha D. Maria I, que faleceu no Rio de Janeiro, de Lisboa governava o Brasil. Após a formação do Estado Nacional Brasileiro, no século XIX, a princesa Isabel (trineta de D. Maria I) governou, por algumas vezes, na ausência de seu genitor, D. Pedro II, sendo que em uma destas ocasiões ela pôs fim à escravidão, assinando a Lei Áurea.
Aquarela de D.Maria I: mãe de D. João VI, governou o Brasil no século XVIII
Se não fosse o golpe que instaurou a República em 15 de novembro de 1889, é provável que, ainda no século XIX, o Estado Nacional Brasileiro fosse governado pela primeira vez por uma mulher, a princesa Isabel, que seria, então, aclamada como a Rainha Isabel I do Brasil. Porém, foram necessários 120 anos para que uma mulher chegasse à posição de mandatária do país.
Foto da princesa Isabel no final de sua vida, após a queda da monarquia
Ao longo da História, outros exemplos. Na Antiguidade, varias mulheres exerceram o controle de reinos e impérios. Pode-se pensar em Cleópatra ou na Rainha de Sabá. Através do relato bíblico, vê-se casos como o da Rainha da Pérsia, Ester, que, judia e antes da encarnação de Cristo, teve ações relevantes contra o extermínio do seu povo de origem (e, também, do seu esposo, o Rei da Pérsia), sendo que sua atuação é rememorada até a atualidade, com a comemoração do dia do Purim.
Na Idade Média, há o exemplo da Condessa Mumadona Dias, mulher mais poderosa do Noroeste da Península Ibérica, que governou o Condado Portucalense no século X. Igualmente, nessa porção da Europa, séculos depois, podemos pensar em Isabel I de Castela, que apoiou a expedição de Cristóvão Colombo ao Novo Mundo no século XV ou de D. Maria II (tia da supracitada Princesa Isabel), que, nascida no Rio de Janeiro e filha de D. Pedro I do Brasil (D. Pedro IV de Portugal), governou este reino europeu.
Dona Maria II: nascida no Rio de Janeiro e irmã de Pedro II, governou por décadas o Reino de Portugal
Concomitantemente, a Espanha também era governada por outra mulher, Isabel II, filha de Fernando VII, prima de D. Maria II e sobrinha da esposa de D. João VI, Carlota Joaquina, que intentou governar, várias vezes, ou Portugal e o Brasil, no lugar de seu marido, ou a Espanha e seu império a partir de Buenos Aires, quando seu irmão estivera preso por Napoleão Bonaparte. Entretanto, os malogrados planos de Carlota são uma outra história.
Isabel II de Espanha: sobrinha de Carlota Joaquina
A participação feminina na política nos séculos XX e XXI
Ainda sobre a atuação feminina em cargos políticos é mister mencionar Alzira Soriano, primeira prefeita do país e da América do Sul, que, eleita em 1928, assumiu a prefeitura de Lages, no Rio Grande do Norte, em 1929. Alzira foi eleita pelo fato da constituição de seu estado permitir que não houvesse, nos pleitos políticos, distinção entre os sexos. De igual maneira vem do Rio Grande do Norte a primeira eleitora brasileira e da América Latina, Celina Guimarães Viana, uma professora de Mossoró, que exerceu seu direito ao voto no mesmo ano em que Alzira foi eleita.
Alzira Soriano: o Rio Grande do Norte forneceu a primeira prefeita do Brasil e da América do Sul
Entretanto, foi em 1932, durante um regime ditatorial, o de Getúlio Vargas, que o direito de votar foi, nacionalmente, estendido às mulheres, sendo o Brasil o 4º país do mundo a conferir esta prerrogativa, ficando atrás apenas do Canadá (1º), EUA (2°) e Equador (3°). Diversas mulheres lançaram-se candidatas em 1934, sendo que deste pleito surgiu a primeira deputada federal brasileira, a médica e pedagoga paulistana Carlota Pereira de Queiroz, que ocupou o cargo até 1937, quando Vargas fechou o Congresso Nacional.
A paulistana Carlota Pereira de Queiróz na Câmara dos Deputados, quando esta ainda funcionava no Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro.
A partir de então, para dados inéditos concernentes às mulheres na política brasileira, são necessárias algumas décadas. Novamente, durante um regime de exceção, uma mulher conseguiu uma posição até então inalcançada na República. Em 1979, durante o regime militar (1964-1985), Euníce Michiles tornou-se Senadora pelo partido governista, a ARENA (Aliança Renovadora Nacional). Euníce Michiles era suplente de João Bosco de Lima, eleito pelo Amazonas, que falecera poucos meses após assumir seu cargo como Senador. Diante deste fato, em 31 de maio, a primeira mulher brasileira tomou posse no Senado Federal.
A primeira senadora do Brasil veio do Amazonas, eleita em chapa da ARENA
Na mesma década, surge, no mundo, a primeira presidente de uma nação: María Estela Martínez, a Isabelita Perón, viúva de Perón, que governou a Argentina de 1974 a 1976, sendo deposta por uma Junta Militar. Ainda na década de 1970, a América Latina assiste a segunda mulher a assumir a presidência de um país da região, desta vez na Bolívia, com Lidia Gueiler Tejada, que governou entre 16 de novembro de 1979 e 17 de julho de 1980, sendo a única mulher que governou este país ao longo de sua história.
Isabelita: a viúva de Perón foi a primeira mulher a ocupar a presidência da República em todo o mundo
Retomando o caso brasileiro, foi durante o governo do último presidente militar, o general João Batista Figueiredo, que o Brasil teve Esther de Figueiredo Ferraz a ser a primeira mulher a ocupar um ministério, no caso, a pasta de Educação e Cultura. Ainda nos anos 80, na eleição de 1989, surgiu a primeira mulher a candidatar-se à presidência da República, Lívia Maria Pio de Abreu, do PN (Partido Nacional). A única mulher do pleito após a redemocratização do país ficou com apenas 0,25% dos votos, ou seja, cerca de 180.000 votos.
Ester de Figueiredo Ferraz ocupou a pasta da Educação e Cultura nos anos 80.
Em 1995, o Maranhão foi a primeira unidade da federação a ter uma governadora, a socióloga Roseana Sarney, filha do ex-presidente da República e atual presidente do Senado, José Sarney. Roseana foi reeleita, no 1º turno, em 1998. A partir daí, outras governadoras foram eleitas.
O ex-presidente José Sarney e sua filha Roseana
Em 2002, o governador do Rio, Anthony Garotinho, abriu mão do seu cargo para candidatar-se à presidência da República. Assumiu, então, por 8 meses, o controle do Rio de Janeiro, a petista Benedita da Silva, que foi a primeira mulher negra a governar um estado brasileiro. Garotinho foi derrotado na eleição federal, mas, no Estado do Rio, o ex-governador lançou sua esposa como candidata ao governo estadual e Rosinha Garotinho foi vitoriosa, governando o Estado até 2007.
À esquerda, Benedita da Silva, a primeira governadora negra do país.
Junto com ela, seu marido, o ator Antônio Pitanga, e sua enteada, a atriz Camila Pitanga
Curiosamente, nesta eleição no Rio de Janeiro, dos quatro principais candidatos, três foram mulheres: a ex-primeira dama do Estado, Rosinha Garotinho, a então governadora Benedita da Silva, que tentava reeleger-se, e a então deputada estadual Solange Amaral. Dentre os quatro principais candidatos, a única figura masculina foi Jorge Roberto Silveira, que, atualmente, está no seu quarto mandato como prefeito de Niterói (cidade que foi capital do antigo Estado do Rio de Janeiro).
Anthony e Rosinha Garotinho: Governadores do Estado do Rio (1999-2007)
No mesmo ano, o Rio Grande do Norte, estado que na década de 1920 deu a primeira prefeita e eleitora brasileiras, tem sua primeira governadora, a professora universitária formada em Letras pela UFRN, Wilma de Faria. Esta fora, anteriormente, nos anos de 1980, 90 e 2000 prefeita da capital potiguar, Natal.
Wilma de Faria, a primeira governadora potiguar
Também em 2002, Maria Abadia foi, no Distrito Federal, vitoriosa na chapa de Joaquim Roriz como vice-governadora e passou ao cargo de governadora a partir de 2006, sendo que ela fora, em 1988, tanto deputada constituinte, quanto membro fundadora do PSDB.
Yeda Crusius: Primeira governadora do Rio Grande do Sul
Nas eleições seguintes, em 2006, para a legislatura que iniciou-se em 2007, novas mulheres chegaram ao governo de outros estados: Yeda Crusius, no Rio Grande do Sul, Ana Júlia, no Pará e, desde 2009, novamente Roseana Sarney, no Maranhão, que foi reeleita em 2010 para mandato que irá iniciar-se em 2011. Curiosamente, no ano em que a primeira mulher foi eleita presidente do Brasil, apenas Roseana foi escolhida governadora. A exceção do Maranhão, nenhuma outra unidade da federação elegeu uma mulher.
A presidente Cristina Kirchner.
Brasil e Argentina serão governados, concomitantemente, por mulheres
Concomitante à ascensão de várias das governadoras supracitadas e à eleição de Dilma, outras mulheres lideram outras nações no âmbito americano. Pode-se citar a argentina Cristina Fernández de Kirchner, que, semelhantemente a Dilma, foi opositora ao regime militar de seu país, a costarriquenha Laura Chinchilla Miranda, e Kamla Persad-Bissessar, primeira ministra de Trinidad y Tobago. Além disto, recentemente, o Chile foi governado por Verónica Michelle Bachelet Jeria, que, como Dilma e Cristina, se opôs ao governo militar de seu país.
Bachelet, que governou o Chile de 2006 a 2010
Dilma
Após este breve apanhado, retoma-se o personagem principal da matéria, a presidente eleita Dilma Vana Rousseff. Sobre Dilma, ela nasceu em uma família de classe média alta de Belo Horizonte, em 14 de dezembro de 1947, e é filha de um imigrante búlgaro naturalizado brasileiro, Pedro Rousseff (Pétar Russév), que, na Europa, fora membro do Partido Comunista da Bulgária, e de Dilma Jane Silva, professora de Nova Friburgo.
Dilma, com os pais e irmão, na infância
Na juventude, paralelamente ao regime militar brasileiro, Dilma vinculou-se à organizações clandestinas de esquerda e ingressou no COLINA, sigla para Comando de Libertação Nacional, que visava implementar no país, através das armas, um regime de inspiração soviética. A partir de 1968, Dilma passou a viver na ilegalidade, usando vários nomes falsos.
Devido à perseguição do regime na capital mineira, a liderança da organização enviou, em 1969, Dilma, então estudante de economia da UFGM, e seu marido, Claudio Galeano de Magalhães Linhares, com quem casara-se em 1967, para o Rio de Janeiro. Posteriormente, seu cônjuge foi enviado para Porto Alegre, separando-se, assim, o casal.
Dilma na juventude
Dilma permaneceu no Rio, onde conheceu o advogado gaúcho Carlos Franklin Paixão de Araújo, chefe de dissidência do Partido Comunista Brasileiro. Os dois acabaram por unirem-se maritalmente e, em 1976, o casal veio a ter a única filha da presidente eleita, Paula.
Em 1970, na cidade de São Paulo, Dilma foi presa e torturada pelas forças de repressão do regime militar, e, em seguida, Araújo, um dos líderes da VAR-Palmares, foi quem enfrentou o cárcere. Dilma foi condenada a seis anos de prisão, no entanto, o Superior Tribunal Militar (STM) reduziu sua pena para dois anos e um mês, sendo que Dilma já havia cumprido três.
Uma vez retornando à liberdade, dez quilos mais magra, com problema na tireóide, e expulsa da UFMG, por crime de subversão, Dilma foi morar na casa dos pais de Araújo, em Porto Alegre. Ela o reencontrou em 1974, quando ele saiu da prisão. Na capital gaúcha, Dilma prestou vestibular para economia na UFRGS e, ainda, sobre sua carreira acadêmica, ela chegou a cursar o mestrado e o doutorado em Economia na UNICAMP, no entanto, por suas atividades profissionais no campo governamental, não concluiu os respectivos trabalhos finais.
Dilma e Brizola: A presidente eleita ajudou a fundar o PDT gaúcho
Com o processo de redemocratização do país, Dilma e Araújo tiveram significativa atuação na fundação do PDT gaúcho, partido político do então ex-governador do Rio Grande do Sul e exilado político Leonel de Moura Brizola, que, nos anos seguintes, por dois mandatos, governa o Estado do Rio de Janeiro e candidata-se à presidência da República em 1989, obtendo 11.168.228 de votos.
Nas décadas de 1980 e 1990, Dilma trabalhou em diversos cargos da administração pública no Rio Grande do Sul e, em 2000, rompeu com Leonel Brizola. Neste mesmo ano, Dilma separou-se definitivamente de Araújo. Em 2001, Dilma ingressou no PT e, no ano seguinte, com a vitória de Lula à presidência da República, participou da equipe de transição do governo de FHC para o do então presidente eleito. Pelo seu destaque profissional, a técnica discreta, porém aplicada, vinda do PT gaúcho, acabou por ser escolhida ministra de Minas e Energia.
Em 2005, ainda no primeiro mandato de Lula, com o escândalo do "mensalão" e conseqüente queda do então chefe da Casa Civil, José Dirceu, o presidente decidiu apostar em Dilma Rousseff para ocupar o cargo do ministro.
Após especulações de mudanças na legislação eleitoral para que Lula pudesse se candidatar para um terceiro mandato, em 2007 o nome de Dilma começou a ser apontado pelo presidente como o de sua possível sucessora. A partir daí, pouco a pouco, com a ajuda de Lula, sua exposição pública cresceu. Habilmente, Lula a vinculou ao petróleo descoberto na área do pré-sal, que, por seu turno, colocou o Brasil entre os quatro maiores produtores mundiais de petróleo. Além disto, o presidente associou a figura de Dilma ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), dando-lhe o título de "mãe do PAC", em cerimônia no Rio de Janeiro.
Lula e Dilma em plataforma da Petrobras
Após descobrir um câncer linfático em exames de rotina, em 2009, e submeter-se ao tratamento, que incluía sessões de quimioterapia, o meio político especulou sobre as reais possibilidades de Dilma vir a competir nas eleições do ano seguinte. No entanto, ela superou esta adversidade e tornou-se a candidata da chapa PT-PMDB à presidência da República em 2010.
Eleições 2010
2010: Ano de eleição presidencial no Brasil
Inicialmente, nas pesquisas de intenção de votos, Dilma não aparecia como a grande favorita. O líder era José Serra, do PSDB. Além disto, Dilma não foi a única mulher a concorrer ao cargo máximo da República: Havia a acreana Marina Silva, do PV, ex-ministra do Meio Ambiente de Lula, e ex-membro do PT.
Dilma, Serra e Marina
Com o decorrer da campanha, a então candidata Dilma, que pleiteava um cargo eletivo pela primeira vez em sua vida, crescia nas intenções de voto, havendo, inclusive, várias pesquisas que indicavam a possibilidade dela vencer o escrutínio no primeiro turno. Entretanto, não foi isto que ocorreu.
O resultado do 1º turno deu a Dilma 46,9% dos votos válidos, ou seja, 47,6 milhões. José Serra foi o segundo colocado, com 32,6%, ou seja, 33,1 milhões de votos. Por fim, Marina Silva obteve 19,33% dos votos, equivalendo a 19.636.359 votos.
Dilma e Serra: Candidatos se encontram no 2º turno
Atribui-se ao fato de Dilma não ter vencido no 1º turno a uma série de questões. A primeira fase do pleito foi envolto de polêmicas, como escândalos de corrupção nos Correios e na Casa Civil, quebras de sigilo de pessoas próximas ao candidato Serra, e multas para o PT e para o PSDB por desrespeito à legislação eleitoral, além do súbito crescimento de Marina Silva. Um outro fator a ser apontado é a questão do apoio da então candidata Dilma e do seu partido à liberação do aborto, apesar dela declarar-se católica.
Dilma no batismo de seu neto, fato ocorrido poucos dias antes da votação do 1º turno
A despeito da polêmica do aborto, já nos primeiros dias da segunda etapa do pleito, Dilma posicionou-se veementemente contra este ato, reafirmando suas declarações de que é católica e, pressionada por lideranças evangélicas e buscando votos deste segmento, assinou carta aberta contra a liberação do aborto. A polêmica chegou ao Vaticano, recebendo inclusive às atenções do papa Bento XVI, que chegou a redigir carta aos fiéis brasileiros para analisarem cuidadosamente o seu voto nas eleições presidenciais.
Dilma em igreja evangélica
Apesar de uma série de questões que poderiam tirar votos de Dilma, fatos como o apoio de Lula, que obtém mais de 80% de aprovação dos brasileiros nas pesquisas de opinião e o peso do PMDB, maior partido do país, que possuí figuras de grande peso político, como José Sarney, Renan Calheiros e o próprio vice da presidente eleita, Michel Temer, levaram Dilma a vencer, no dia 31 de outubro, as eleições de 2010.
Em função do sistema de voto eletrônico, que surgiu no Brasil ainda na década de 1990, às 20 horas e 04 minutos foi possível detectar que Dilma será a primeira mulher a governar a República. O resultado de sua vitória foi de 56,05% dos votos válidos, ou seja, 55.745.867 de pessoas. Serra teve 43,95%, ou seja, 43.707.472 votos. Por fim, os votos nulos corresponderam a 4,40%, ou 4.688.672, e os que se abstiveram do dever de votar foram 21,50% dos eleitores.
Militantes celebrando a vitória de Dilma
Mesmo vencendo as eleições, analisando o resultado estado por estado, vê-se o país dividido. Dilma venceu no Rio de Janeiro, no Distrito Federal, em Minas Gerais, em Tocantins, no Pará, no Amapá, no Amazonas e em todos os estados do Nordeste, que são nove no total. Dilma venceu em 16 das 27 unidades da federação. Serra venceu no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Rondônia, Acre e Roraima, logo, em 11 estados.
Dilma e o peemedebista Sérgio Cabral, reeleito governador do Rio de Janeiro.
No centro, a prefeita de São Gonçalo, município do Grande Rio, Aparecida Panisset, do PDT.
A Vitória: A Primeira Mulher na Presidência da República
Com a vitória de Dilma, o fato de ser a primeira mulher a ocupar a presidência no Brasil não é o único ineditismo que a cerca. Os outros são o de Dilma ser divorciada duas vezes, bem como o fato de ser ex-guerrilheira. Nunca o Brasil possuiu um presidente com este perfil. Observa-se que outro país ibero-americano que tem um ex-guerrilheiro a ocupar o posto máximo da República é o Uruguai, com José Mujica, que atuou no Tupamaros.
Não pode-se esquecer que, apesar da vitória de Dilma e do ineditismo de uma mulher chegar à presidência da República, o Brasil, se comparado, por exemplo, com a Argentina e com o Chile, ainda deixa a desejar no quesito participação feminina na política nacional. Os dois países hispânicos têm mais de 30% de mulheres nos seus respectivos congressos nacionais, sendo que o Brasil possuí menos de 10%, uma diferença extremamente significativa.
Além disto, no que toca os ineditismos que circundam Dilma, considerando que ela complete o seu mandato em 2015, o PT será o partido que governou o país por mais tempo depois da redemocratização, totalizando 12 anos, contra 8 do PSDB, referente aos dois mandatos de FHC.
Dilma foi eleita pela Forbes a 16ª pessoa mais influente do mundo
A Revista Forbes divulgou, em 3 de novembro de 2010, que Dilma é a 16ª pessoa mais influente do mundo, ultrapassando figuras como o presidente francês Nicolás Sarkozy, que está em 19°, e a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, em 20º. Na lista da Forbes, na frente de Dilma, pode-se apontar duas outras mulheres. A chanceler alemã Angela Merkel, que está em 6º, e Sonia Gandhi, presidente do Partido do Congresso da Índia, em 9º.
Dilma e Marcelo Crivella (PRB-RJ):
Engenheiro e bispo da Igreja Universal, o senador reeleito faz parte da base de apoio da presidente eleita
Outro fator a apontar-se é que Dilma contava, já no momento do resultado das eleições, com o apoio de 16 dos 27 governadores. A presidente eleita tem ampla maioria no Congresso Nacional: Dos 503 deputados, Dilma já é apoiada pelos 311 que tomarão posse em 1º de janeiro de 2011, sendo que este número pode chegar a 402, maior número desde a redemocratização do país. No Senado, das 81 cadeiras, ela possuí apoio que varia entre 52 e 60 senadores.
Dilma e Tarso Genro, também do PT, governador eleito do Rio Grande do Sul
Existem especulações de que o mandato de Dilma seria "tampão", pois já que o presidente Lula não podia ser candidato pela terceira vez consecutiva em 2010, ele teria a colocado visando retornar nas eleições de 2014. Recentemente, na Argentina, o presidente Lula afirmou que atuará politicamente por toda a América Latina.
Dilma promete erradicar a miséria em seu futuro governo. No entanto, além da miséria, outros desafios seguem para a presidente eleita, como os da área de educação, saúde, infra-estrutura e segurança, bem como o enfrentamento à corrupção nos diversos níveis da sociedade brasileira.
Lula e Dilma: Presidente termina o mandato com mais de 80% de aprovação, além de ter feito sucessora
Vídeos
Primeiro Programa Eleitoral de Dilma Rousseff
Programa Eleitoral de José Serra
Programa Eleitoral de Marina Silva
Leia mais sobre a participação feminina na política:
O Clube IPC na década de 1950
Foto extraída de http://fotolog.terra.com.br/lembrancas_de_niteroi:93
Hoje, 22 de novembro, é feriado em Niterói, cidade onde a Revista Tema Livre foi criada em 2002 e tem sua sede. Esta data é entendida como a da fundação deste município do Grande Rio. Poder-se-ia, como os demais veículos de comunicação fazem repetitivamente todo ano, contar a história da cidade ou mostrar suas inúmeras maravilhas. Belezas da antiga capital fluminense - não todas - já foram mostradas nas primeiras edições de Tema Livre, no início da década de 2000 (Para os que desejarem rever, seguem os links: www.revistatemalivre.com/crep1p.html e www.revistatemalivre.com/crep2p.html.)
Foto da Praia de Icaraí e do bairro de mesmo nome em 1951.
Extraído de http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/cinema-icarai-niteroi-rj/
Mais do que as repetidas homenagens, a cidade merece que se chame a atenção para a destruição do seu patrimônio histórico, problema enfrentado por outras cidades do país, adversidade que empobrece a história e o turismo dos municípios, bem como priva as gerações futuras de conhecerem o patrimônio material da cidade onde virão a viver. Tudo em nome da especulação imobiliária, que acaba por trazer uma série de problemas, promovendo o caos urbano.
Foto de Icaraí, bairro mais populoso de Niterói e com maior densidade demográfica da cidade, tem área de aproximadamente 2km².
Extraído de http://pt.wikipedia.org/wiki/Icara%C3%AD
Neste 437º aniversário, em que concomitantemente às celebrações da cidade de quase 500.000 habitantes, de área de 129,375km², e com o melhor IDH do estado e terceiro do Brasil, é relevante lembrar, dentre os muitos já destruídos, de dois marcos históricos e arquitetônicos da cidade que sofrem com os tempos de grande especulação imobiliária nas grandes áreas urbanas brasileiras: O impasse do cinema Icaraí, na praia de mesmo nome, logo situado em um dos pontos mais valorizados da cidade, e que está fechado desde 2005, a deteriorar-se, sendo que especulou-se, inclusive, sua destruição para a construção de um espigão.
Foto do Cinema Icaraí em 1946.
Extraído de http://www.historiadocinemabrasileiro.com.br/cinema-icarai-niteroi-rj/
O imóvel foi "destombado" parcialmente em 2006 pela Câmara dos Vereadores, mesmo não havendo unanimidade na questão. Em suma: Planejava-se manter a fachada e construía-se um prédio de 14 andares. Ignorava-se, então, que o cinema era um dos últimos em estilo Art Déco em Niterói. Outro prédio é o da Reitoria da UFF, antigo Cassino Icaraí, a uma quadra do antigo cinema. Porém, pela pressão popular, o cinema não foi destruído, mas ainda seria propriedade de uma construtora que espera o desfecho da questão.
Foto do já inexistente Clube IPC, marco da arquitetura moderna em Niterói.
Acervo Tema Livre
O outro caso é o do clube IPC (Icaraí Praia Clube), construção que dista poucos metros do antigo cinema, logo também situado em área nobre e, igualmente, está de frente para o mar. Em função do alto número de sócios inadimplentes e da crise financeira da agremiação, esta encerrou suas atividades em 2009. Seu prédio foi passado para uma grande construtora em um negócio que ultrapassou os R$ 35 milhões, porém, sem o alarde do cinema Icaraí. Posicionaram-se contra 60 sócios e uma inquilina, que dava aulas de balé no clube há 54 anos, e que chegara a investir financeiramente em seu espaço dentro do IPC. O caso foi parar na justiça, mas isto não impediu que no local venha a ser construído um prédio de alto luxo, com 52 unidades, de três e quatro quartos, que chegam a ter 4 vagas de garagem, e que tem a alcunha de ser "o mais exclusivo da Praia de Icaraí". As raras unidades que ainda restam para venda estão entre aproximadamente R$ 1.200.000,00 e R$ 1.500.000,00. Uma das coberturas tem mais de 500m².
Marco arquitetônico moderno em fase prévia à sua destruição.
Acervo Tema Livre
Para dar lugar a tamanho luxo e beleza, neste fim de semana prolongado para os niteroienses e de comemorações na cidade, ignora-se completamente a demolição do tradicional IPC, sendo que este era um significativo exemplar da arquitetura moderna em Niterói, com suas curvas e pilastras, basicamente sem ornamentos, como tal estilo arquitetônico pede.
Detalhe que mostra os traços do modernismo na construção niteroiense.
Acervo Tema Livre
Tentativa de cerceamento do registro histórico e da memória afetiva: Problema que atinge a população em geral e o ofício de historiadores, jornalistas, fotógrafos e tantos outros profissionais
O mais curioso no caso IPC, ao menos em relação à Revista Tema Livre, foi que durante sua destruição, fotógrafo da publicação foi fazer registro histórico do fim deste marco moderno da cidade e gerou profundo incomodo em indivíduo que aparentava ser responsável pela obra (Não pode-se afirmar, pois o mesmo não encontrava-se sequer devidamente identificado, com crachá), mas vestia calça jeans e camisa social parda. Talvez fosse um engenheiro? Talvez um corretor? Enfim, o que importa é que mesmo o fotógrafo estando na calçada, em via pública e em pleno vigor democrático, mirando sua lente para o imóvel semi-destruído, o supracitado senhor acabou por convocar alguns trabalhadores da construção civil, que, pouco a pouco, abandonavam o seu caráter cordial e seus postos e transformavam-se em uma espécie grotesca de leões de chácara, tentando, em um tom picaresco, porém, para eles, sério e verdadeiramente intimidador, forjar um cenário lamentavelmente ridículo e cerceador da liberdade de expressão e de imprensa.
Foto tirada a partir da calçada da edificação parcialmente destruída.
O registro histórico só foi possível pela agilidade do fotográfo.
Acervo Tema Livre
Provavelmente a reprovável e descompensada atitude nada tem a ver com a internacionalmente reconhecida e respeitável construtora, que sequer imagina que em uma de suas obras esteja a acontecer lamentável tentativa de coerção. Igualmente, pode-se especular que a atitude do senhor de camisa social deva-se, quem sabe, a alguma espécie de insegurança, quem sabe temia uma matéria de cunho investigativo? Porém, como já diz o velho ditado, "quem não deve, não teme!". Enfim, não há como saber as razões deste senhor. Resta apenas lamentar e apontar sua atitude de coibir o direito do registro do que ainda existia naquele momento do nosso patrimônio histórico, que, provavelmente, até o fim desta semana, terá desaparecido.
Trabalhadores da construção civil e a torre do IPC parcialmente destruída.
Acervo Tema Livre
Mais do que o disparate promovido pelo citado senhor, é válido que a partir deste caso ocorrido em Niterói se deixe o registro que cada vez mais torna-se mais difícil fazer registros fotográficos, seja para acervos pessoais ou não, de lugares públicos, que compõem os cenários brasileiros ou os locais relativos à memória afetiva de cada cidadão. Surge, silenciosamente, uma espécie de ditadura, que usa funcionários e/ou seguranças de empresas para impedirem o trabalho de profissionais que necessitam fazer estes registros, e que o fazem mais do que por suas necessidades econômicas, mas por amor a sua profissão, à memória e à História.
A cada minuto uma gama de novos tweetts surgem na busca "Revolução Farroupilha" ou "20 de setembro". É frenético, como o louco ritmo da web. É impossível ler todas as mensagens. Incontáveis internautas mandam mensagens relativas a este episódio. Hoje é feriado no Rio Grande do Sul, pois no dia 20 os farroupilhas tomaram Porto Alegre. Comemora-se, então, o Dia do Gaúcho e neste ano "Revolução Farroupilha" lidera, seja no âmbito brasileiro, seja no mundial, os Trending Topics do Twitter.
Chama-se a atenção que com o episódio histórico ocorrido há 175 anos em terras gaúchas, o Brasil coloca pela primeira vez uma data intrínseca à História em primeiro lugar nesta rede social. Curiosamente, datas nacionais e históricas, como a independência do Brasil (7 de setembro) ou a Abolição dos Escravos (13 de maio) não conseguiram este feito.
Do mesmo modo, feriados de estados mais populosos, criados a partir de questões históricas, como, por exemplo, o paulista que rememora a Revolução Constitucionalista de 1932 (9 de julho) não conseguiu a proesa gaúcha, sendo que o Rio Grande do Sul tem cerca de 11 milhões de habitantes, é a 5ª unidade da federação em quantidade populacional, ao passo que o estado de São Paulo possui aproximadamente 41 milhões, sendo a 1ª.
Após a repercussão internacional do "Cala a Boca Galvão", por este ter sido Trending Topics do Twitter, qual será a explicação que os brasileiros darão a respeito da Farroupilha? Provavelmente, em virtude do grande "trote" envolvendo o narrador da Globo, o mundo irá verificar melhor os dados vindos de terras tupiniquins e, quem sabe, aprendam um pouco mais sobre a História do Brasil.
Guilherme Litran, Carga de cavalaria Farroupilha. Acervo do Museu Júlio de Castilhos.
Extraído de http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_dos_Farrapos
A seguir, algumas mensagens postadas por usuários do Twitter sobre o episódio histórico:
Viva Zapata!
- "Melhor morrer de pé, do que viver de joelhos!", Revolução Farroupilha! #20desetembro Parabéns Gaúchos! :))
O Professor de História que faz a diferença
- Revolução Farroupilha me lembra 1 professor maravilhoso de história que tive e ñ está + aqui, ainda tenho os cadernos c/os esquemas anotados
Viva Lecor!
- Se a Revolução Farroupilha tivesse dado certo, hoje teríamos dois Uruguais. Sinceramente, não sei do q os gaúchos se orgulham tanto.
Trauma da escola
- Revolução Farroupilha nos TT's? Será que nem no twitter eu não posso esquecer da escola? Não posso esquecer da matéria de história? Quesaco!
A História se repete?
- Devemos eleger um bom senador, pois a situação de hoje (2010) não é muito diferente da situação da revolução farroupilha (1835)
Twitter é cultura...
- Twitter tambem é cultura gente, hoje comemora-se o aniversario da Revolução Farroupilha, por isso está nos TT's, no sul hoje é feriado!
O Twitter é meu mundo
- Revolução Farroupilha é a frase mais falada no mundo... o dia inteiro :D
O impactado
- cara, estou impressionado, revolução farroupilha o dia inteiro nos TT's mundiais :O
"Nacionalistas"
- Revolução Farroupilha! Só quem é GAÚCHO e APAIXONADO por essa terra sabe o que é ter orgulho do seu lar, do seu povo, da sua história.
O Prof. Dr. José d'Encarnação, catedrático da Universidade de Coimbra desde 1991, foi eleito, por unanimidade, no último dia 16 de julho, como Acadêmico de Mérito da Academia Portuguesa de História, instituição sediada em Lisboa.
Deste modo, ao vasto currículo do historiador, arqueologista e epigrafista português, que inclui, dentre outras, a publicação de inúmeros trabalhos acadêmicos em Portugal e no exterior (mais de quatrocentos), a participação nas Reial Acadèmia de Bones Lletres (Barcelona) e Real Academia de la Historia (Madrid), além do título de doutor honoris causa pela Universidade de Poitiers (França), agrega-se, a partir de então, esta mais nova distinção, a de Acadêmico de Mérito da APH.
Para ler entrevista concedida pelo Prof. Dr. José d'Encarnação à Revista Tema Livre, clique aqui
Com profundo pesar noticiamos que faleceu, na manhã de hoje (27/4), no Rio de Janeiro, em função de um câncer contra o qual lutava há alguns meses, o historiador Manoel Luiz Salgado Guimarães, professor dos departamentos de história da UFRJ e da UERJ.
Manoel Salgado, como era conhecido o historiador no meio acadêmico, era Graduado em História pela UFF (1979), Mestre em Filosofia pela PUC-Rio (1982) e Doutor em História pela Freie Universität Berlin (1987), além de possuir Pós-Doutorado pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, EHESS (2000).
Ao longo de sua trajetória profissional, a produção intelectual de Manoel Salgado foi publicada no Brasil e no exterior, como foi o caso de seu livro "Geschichtsschreibung Und Nation In Brasilien 1838-1857" (Historiografia e Nação no Brasil: 1838-1857), editado, em 1987, na Alemanha. Os trabalhos acadêmicos de Manoel Salgado ainda compuseram anais de congressos e páginas de revistas especializadas. Os textos do historiador ainda ganharam espaço em veículos de comunicação dirigidos ao grande público.
À vasta atuação do historiador agrega-se que Manoel Salgado presidiu a ANPUH (Associação Nacional de História) no período de 2007 a 2009, bem como esteve à frente da seção Rio de Janeiro da citada associação entre os anos de 2002 e 2004. Atualmente, desenvolvia os projetos de pesquisa "Memória, escrita da história e culturas políticas no mundo luso-brasileiro" e "Tradição e inovação na cultura histórica oitocentista em Portugal e no Brasil".
Manoel Salgado ainda foi responsável pela formação de vários historiadores, tendo orientado 93 trabalhos acadêmicos, estando entre eles teses de doutorado, dissertações de mestrado e monografias de graduação. Atualmente, o historiador orientava quatro trabalhos de Mestrado e seis de Doutorado, que o levaria ao número de mais de 100 orientações.
O corpo de Manoel Salgado será velado amanhã (28/4), a partir das 9h, e o sepultamento ocorrerá às 11h, no Memorial do Carmo (Caju, Rio de Janeiro).
Links para artigo e entrevista de Manoel Salgado:
Revista Topoi - UFRJ: http://www.ppghis.ifcs.ufrj.br/media/topoi5a7.pdf
Jornal O Povo - Fortaleza, CE: http://opovo.uol.com.br/conteudoextra/892766.html
Na última quarta-feira foi aprovada pela CAS (Comissão de Assuntos Internos) do Senado a profissão de historiador. O projeto de lei PLS 368/09, do senador Paulo Paim (PT-RS) e que teve como relator o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), foi aprovado em decisão terminativa.
Esta aprovação não significa a proibição do exercício da atividade por aqueles que não possuem graduação ou mestrado ou doutorado em História, no entanto, garante, em concursos públicos, vagas aos indivíduos com formação na área. Vagas para o magistério estão incluídas nesta mudança, bem como estabelece-se a necessidade de participação do historiador na avaliação e seleção de documentos para preservação, na organização de informações para exposições, publicações e eventos, em serviços de pesquisa, e, ainda, a elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.
Ao votar pela aprovação, Buarque destacou em seu discurso que, hoje, o campo de atuação do historiador não é mais restrito às salas de aulas, apontando, além de museus e centro culturais, a atuação do profissional em empresas do campo do turismo, da publicidade, do jornalismo, do cinema e da TV. Pela crescente importância deste ofício, o senador vê a regulamentação como meio legal de reconhecimento e valorização da profissão.
Apesar deste importante passo, isto não significa que a profissão de historiador esteja, ainda, regulamentada. O projeto continua a tramitar no Congresso Nacional. Resta, agora, acompanhar os próximos passos desta história.
Leia mais sobre a profissão do historiador na Revista Tema Livre:
Foi enterrado no início da tarde de hoje no cemitério Parque da Paz, no Pacheco, São Gonçalo, Geremias de Matos Fontes, que, tendo iniciado sua trajetória política no movimento estudantil, foi prefeito de São Gonçalo (1959-1962), deputado federal (1962-1966) e penúltimo governador do antigo Estado do Rio de Janeiro (1967-1971), quando a capital deste situava-se na cidade de Niterói. Além disto, Geremias Fontes era advogado, formado pela Faculdade de Direito de Niterói (1954), e Pastor evangélico, sendo o presidente da Comunidade Cristã S8 (Com sede em Marambaia, São Gonçalo) e da Igreja Batista do Calvário (No bairro do Fonseca, Niterói).
Após seu mandato como governador, em um período em que as campanhas políticas tornavam-se cada vez mais caras e dependentes de empresários, Geremias Fontes abandonou definitivamente a vida política, para dedicar-se integralmente às suas atividades profissional, social e religiosa. Nesta época, Geremias Fontes acolheu em sua própria residência vários jovens que queriam abandonar as drogas e, dentre suas realizações, destaca-se a de ter participado, ainda na década de 1970, da criação da Comunidade Cristã S8, que ainda hoje atua, no Rio de Janeiro (Botafogo), Niterói (Icaraí e Gragoatá) e São Gonçalo (Marambaia), junto à recuperação de dependentes químicos.
Geremias Fontes vivia uma vida simples junto à sua esposa Nilda F. Fontes e, nos últimos meses, vinha sofrendo complicações do diabetes, tendo falecido na manhã do dia 02 de março, aos 79 anos. Geremias Fontes deixa viúva, oito filhos, 23 netos e dois bisnetos.
Está prestes a ser solucionada uma antiga reivindicação de muitos historiadores e da associação que os representa, a ANPUH: A regulamentação da profissão do historiador. O Projeto de Lei 368/2009, apresentado em agosto passado pelo Senador Paulo Paim (PT-RS), teve, no último dia 11, parecer favorável do relator do projeto, o Senador Cristóvam Buarque (PDT-DF). No entanto, a votação não ocorreu por falta de quórum e, conseqüentemente, houve o seu adiamento.
Neste momento, a condição para a aprovação do projeto é a questão relacionada ao quórum, pois uma vez sendo votada pela Comissão de Assuntos Sociais, presidida pela Senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), a matéria não terá que passar por nenhuma instância do Congresso Nacional. Deste modo, caso a supracitada Comissão dê o seu parecer favorável, tornará a profissão de historiador regulamentada. Agora, é só esperar o quórum!
Você é favorável à regulamentação da profissão do historiador
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Placar em 20 de fevereiro de 2010:
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Não - 17%
"SENADO FEDERAL
PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 368, DE 2009
Regula o exercício da profissão de Historiador e dá outras providências.
O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1º Esta Lei regulamenta a profissão de Historiador, estabelece os
requisitos para o exercício da atividade profissional e determina o registro em órgão
competente.
Art. 2º É livre o exercício da atividade profissional de Historiador, desde que
atendidas às qualificações e exigências estabelecidas nesta Lei.
Art. 3º O exercício da profissão de Historiador, em todo o território nacional,
é privativa dos:
I - portadores de diploma de curso superior em História, expedido por
instituições regulares de ensino;
II - portadores de diploma de curso superior em História, expedido por
instituições estrangeiras e revalidado no Brasil, de acordo com a legislação;
III - portadores de diploma de mestrado, ou doutorado, em História,
expedido por instituições regulares de ensino superior, ou por instituições estrangeiras e
revalidado no Brasil, de acordo com a legislação.
Art. 4º São atribuições dos Historiadores:
I - magistério da disciplina de História nos estabelecimentos de ensino
fundamental, médio e superior.
II - organização de informações para publicações, exposições e eventos em
empresas, museus, editoras, produtoras de vídeo e de CD-ROM, ou emissoras de
Televisão, sobre temas de História;
III - planejamento, organização, implantação e direção de serviços de
pesquisa histórica;
IV - assessoramento, organização, implantação e direção de serviços de
documentação e informação histórica;
V - assessoramento voltado à avaliação e seleção de documentos, para fins
de preservação;
VI - elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos
sobre temas históricos.
Art. 5º Para o provimento e exercício de cargos, funções ou empregos de
Historiador, é obrigatória a apresentação de diploma nos termos do art. 3º desta Lei.
Art. 6º A entidades que prestam serviços em História manterão, em seu
quadro de pessoal ou em regime de contrato para prestação de serviços, Historiadores
legalmente habilitados.
Art. 7º O exercício da profissão de Historiador requer prévio registro na
Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do local onde o profissional irá atuar.
Art. 8º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
JUSTIFICAÇÃO
O campo de atuação do historiador não tem se restringido mais à sala de
aula, tradicional reduto desse profissional. Sua presença é cada vez mais requisitada não
só por entidades de apoio à cultura, para desenvolver atividades e cooperar, juntamente
com profissionais de outras áreas, no resgate e na preservação do nosso patrimônio
histórico, mas também por estabelecimentos industriais, comerciais, de serviço e de
produção artística.
No âmbito industrial, o historiador vem trabalhando na área de consultoria
sobre produtos que foram lançados no passado, para análise de sua trajetória e avaliação
sobre a viabilidade de seu relançamento no mercado consumidor, ou ainda, para o estudo
das causas de seu sucesso ou fracasso.
Pelas suas qualificações, o historiador é imprescindível para os
estabelecimentos do setor de turismo, que contratam seus serviços para desenvolver
roteiros turísticos para visitação de locais com apelo histórico e cultural.
Entidades públicas e privadas recorrem ao historiador para recolherem e
organizarem informações para publicação, produção de vídeo e de CD-ROM, programas
em emissoras de televisão, exposições, eventos sobre temas de história.
Não menos valiosa é a sua colaboração nas artes, onde o historiador faz
pesquisa de época para os produtores de teatro, cinema e televisão, quer auxiliando na
elaboração de roteiros, quer dando consultoria sobre os cenários e outros elementos da
produção artística.
Num mundo onde a qualidade e a excelência de bens e serviços vêm se
sofisticando cada vez mais, os historiadores devem ter sua profissão regulamentada, pois
seu trabalho não mais comporta amadores ou aventureiros de primeira viagem.
Assim, julgamos ter chegado o momento de regulamentarmos o exercício da
profissão de historiador que hoje congrega, em todo o país, milhares de profissionais que
reivindicam, há muito, o reconhecimento e valorização de seu trabalho.
Por essas razões, esperamos contar com o apoio de nossos nobres pares
para a aprovação deste projeto de lei.
Sala das Sessões,
Senador PAULO PAIM
(À Comissão de Assuntos Sociais.)
Publicado no DSF, 29/08/2009.
Secretaria Especial de Editoração e Publicações do Senado Federal - Brasília-DF
OS: 15781/2009"
De acordo com pesquisa realizada pelo sítio CareerCast.com e publicada no The Wall Street Journal (http://online.wsj.com/public/resources/documents/st_BESTJOBS2010_20100105.html) no último dia 05, o exercício profissional do historiador foi definido como a 5ª melhor profissão nos EUA no ano de 2009. A metodologia da pesquisa teve como critérios renda, demandas físicas, estresse, ambiente do trabalho e empregabilidade. (Para maiores detalhes acerca da metodologia, acessar: http://www.careercast.com/jobs/content/jobs-rated-methodology-2010)
Na lista, na frente dos historiadores estão, em primeiro lugar, os atuários, em segundo, os engenheiros de software, em terceiro, analista de sistema de computadores e, por fim, em quarto lugar, os biólogos.
A pesquisa ainda aponta que o salário inicial de um historiador está em 34.000 dólares anuais, cifras aproximadas a de outros profissionais, como filósofos (33.000), antropólogos (32.000), arqueólogos (também com 32.000), nutricionistas (31.000) e contadores (37.000). O valor mais alto que um historiador pode receber anualmente está em 111.000 doláres, próximo, portanto, de estatístico (117.000), químico (113.000), contador (102.000), e engenheiros civil (116.000), mecânico (115.000) e industrial (107.000).
Para acessar a lista completa das duzentas profissões analisadas, acesse: http://online.wsj.com/public/resources/documents/st_BESTJOBS2010_20100105.html
A partir deste ano, os historiadores passarão a ter o seu próprio dia: A homenagem recaiu sobre 19 de agosto, data que remete ao natalício do intelectual pernambucano Joaquim Nabuco (nascido no ano de 1849), que exerceu uma série de atividades, como, por exemplo, a de diplomata, político e historiador. Além disto, Nabuco foi grande opositor à escravidão e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras (ABL). A seguir, a publicação da lei no Diário Oficial da União (http://www.jusbrasil.com.br/diarios/1564077/dou-secao-1-18-12-2009-pg-1):
"LEI N 12.130, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2009
Institui o Dia Nacional do Historiador, a ser celebrado anualmente no dia 19 de agosto.
O VICE-PRESIDENTE DA REPUBLICA , no exercicio do cargo de PRESIDENTE DA REPUBLICA
Faco saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1 E instituido o Dia Nacional do Historiador, a ser celebrado anualmente no dia 19 de agosto.
Art. 2 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicacao.
Brasilia, 17 de dezembro de 2009; 188 da Independencia e 121 da Republica.
JOSE ALENCAR GOMES DA SILVA
Joao Luiz Silva Ferreira"